Em via das matérias de revistas que permeiam o cenário de heavy metal no Brasil, foram, ao longo dos anos, surgindo muitas publicações desse segmento.
Poucas revistas mantiveram o foco fiel. Em sua maioria, as revistas efetuaram modificações em suas matérias de acordo com os modismos ao longo dos anos.
PALAVRAS-CHAVE
Revistas, heavy metal, publicações, segmento, periodicidade, modismos
REVISTA BIZZ
Publicação que nasceu em 1985. O curioso é que foi relançada três vezes e, deixou de ser uma publicação mensal em 2007. A partir daí passou a ser selo de projetos voltados à música.
Graças ao primeiro Rock in Rio Brasil, a revista surgiu em 1985. Inspirada no sucesso artístico que o festival carioca promovia, digamos de passagem, quando o Rock in Rio ainda era “rock” de verdade.
Bizz foi inspirada na publicação inglesa, voltada ao público adolescente, de Smash Hits. Por conta da ditadura militar, muito foi sufocado da cultura underground no Brasil. Mas, em 1985 o país iniciava um boom rock’n roll. Onde o cenário nacional era marcado pelo surgimento de bandas que despontavam graças à disseminação feita pelas rádios Fm.
A revista abordava temas relacionados a moda, cinema, vídeo, quadrinhos e tecnologia. Com a marca de 100 mil exemplares vendidos já na primeira edição. Os meses seguintes não foram tão diferentes em vendas.
Com o Plano Cruzado, em 1986, o consumo no Brasil teve ascensão. A indústria fonográfica e de entretenimento cresceram. Se aproveitando disso, a editora Abril, responsável pelas edições de Bizz, cria a editora Azul, passando a publicá-la a partir de outubro de 1986.
No final de 1989, Bizz passa por mudanças e ganha novo projeto gráfico. Vale lembrar que, nesse período a cena musical no Brasil era bem diferente do que quatro anos atrás. Artistas como Legião Urbana, Paralamas Do Sucesso e Titãs, se mantinham firmes em vendas. Por outro lado, as gravadoras encaravam o, vulgarmente chamado de jabaculê[1], que consiste em investir nos artistas tidos como bregas. Foi o declínio de bons artistas e progresso de artigos modísticos de ocasião. As emissoras de Fm terminavam por manter a nova onda brega em alta.
Em 1990, época em que estréia a MTV no Brasil, cresce o interesse por artistas estrangeiros. No entanto, em 1993, com outro novo remanejo editorial, a revista Bizz passa a se preocupar com o cenário nacional, promovendo a divulgação de bandas no país. Nesse período surge Carlinhos Brown, Skank, Okotô, dentre outros.
O tempo passa, e com ele as constantes transições na moeda nacional. Em 1995, com o Plano do Real, a MTV do Brasil permanecia em sua missão voltada ao público jovem. Nessa fase, a revista passa a ser ShowBizz. Explorando ensaios sensuais, em formato maior e linguagem adolescente. Sucesso de vendas, que acompanhava os artistas da onda. Gradativamente a revista mudava seu segmento, que inicialmente era rock, para tons do tipo “mistureba” sonora.
Segundo o site revista Bizz (2011, site revista Bizz) “Em Julho de 2007, o jornalista assinou pela primeira vez uma reportagem de capa da revista, contando a história da última turnê do Los Hermanos. Foi a última edição da Bizz”.
REVISTA BACKSTAGE
Revista nacional que existe desde 1994, projeto idealizado por Nelson Cardoso. Publicada pela editora Sheldon, traz matérias com bastidores de shows, textos direcionados a músicos, pois também apresenta conteúdos técnicos de produção musical e sonorização.
Lembrando que sua especialidade é o mercado fonográfico. Verdadeiramente uma publicação segmentada aos profissionais da área musical.
REVISTA ROLL
Surgiu em 1983. Também com conteúdo técnico sobre o mercado fonográfico, destaque para o profissionalismo dos colaboradores. Todas as bandas que estavam em destaque no cenário de música pesada eram abordadas em suas publicações.
No entanto, como se tratava de uma publicação que praticamente se mantinha sozinha, de caráter independente, foi massacrada pela Bizz. Não havia como competir com uma revista editada pela editora Abril.
Muitos textos das primeiras edições foram escritos pelo, na época, futuro líder do R.P.M., que assinava as matérias como Paulo Ricardo Medeiros, jornalista.
REVISTA ROLLING STONES
A revista Rolling Stones surgiu nos Estados Unidos. Em um período fortemente marcado pela cultura hippie. No ano de 1967, fundada por Jann Wenner, editor chefe até hoje e, Ralph J. Gleason.
Nos anos 60 predominava a mensagem romântica de paz e amor, exceto pelo lema sexo e drogas. Em meio a esse cenário, a revista Rolling Stones abordava o universo de riffs[2] e batidas do rock da época. Ganhava força graças a sua fidelidade para com a música, uma vez que outras publicações do mesmo período não abrangiam as bandas de sucesso daquela década.
A revista era repleta de reportagens caprichadas, longas e bem ilustradas. Com diferencial nas entrevistas, minuciosa no ritual cotidiano dos músicos, revelando particularidades de sua intimidade. O que não poderia deixar de ser inusitado, detalhe esse que ganhava fãs e inimigos.
A revista concedia liberdade, tanto para os artistas, quanto para os jornalistas que a escreviam. Matérias sobre sexo, drogas e política.
Rolling Stones existe até hoje, todavia, assim como muitas das publicações que iniciaram voltadas ao som pesado, ela também acompanhou o modismo musical de época. Razão pela qual, resultou em mudança de público.
Passou a ser publicada no Brasil em outubro de 2006, pela editora Spring, localizada em São Paulo. Ricardo Cruz, ex-editor chefe da revista MTV Brasil, é dono do mesmo cargo na revista Rolling Stones.
REVISTA ROCK BRIGADE
A revista Rock Brigade existe desde 1981. Surgiu como um fã-clube de heavy metal. Em 1982 tornou-se um fanzine, e apenas na segunda metade dos anos oitenta passou a ser uma revista com periodicidade mensal.
Atualmente, a Rock Brigade é a mais antiga publicação do hemisfério Sul, voltada ao segmento de música pesada. Sua distribuição é mensal, com tiragem de 60 mil exemplares. Também vendida em Portugal.
A Rock Brigade Records surgiu como subsidiária da Rock Brigade em 1986. Seu primeiro lançamento foi com a banda Vulcano, na ocasião, para o álbum Bloody Vengeance. A gravadora trabalha em parceira com a Laser Company Music Distributor/Laser Company Records[3].
REVISTA GUITAR PLAYER
Existe, no Brasil, desde janeiro de 1996. Com conteúdo, em geral, direcionado para a parte técnica de instrumentos musicais. Apresenta referência de lojas e equipamentos essenciais aos músicos. Traz entrevistas com artistas influentes no cenário de rock e metal.
A revista Guitar Player é editada até hoje.
REVISTA ROADIE CREW
Em meados de 1994, Claudio Vincentin, editor e um dos idealizadores da revista Roadie Crew, junto com Airton Diniz, criaram um fanzine, não por acaso, chamado fanzine Roadie Crew. Que circulou na época do primeiro Festival Philips Monster Of Rock, em 1994, no Brasil.
A publicação continuou circulando, esporadicamente, até 1998. Quando Claudio Vincentin e Airton Diniz decidiram torná-la uma publicação circulante em todo Brasil. Devido ao fato de Vincentin ser um ávido leitor de fanzindes de heavy metal, criar uma revista sobre o tema sempre o seduziu.
Segundo Claudio Vincentin (2007, site Whiplash!) “Sempre fui um leitor de fanzines e revistas de Metal, e a vontade de trabalhar com isso sempre me animou”.
Em 2001, a Roadie Crew firmou parceria com a empresa que organiza o Wacken Open Air[4], na Alemanha. Uma iniciativa para reforçar tudo que permeiam os grandes festivais europeus, assim, mantendo os fãs de heavy metal no Brasil informados a cerca do que rolava lá fora.
Vale ressaltar que o Wacken Open Air teve uma versão em terras brasileiras, no ano de 2009, justamente quando o festival completava vinte anos de existência. No Brasil, sua versão recebeu o título de Wacken Rocks Brazil, aconteceu na cidade de São Paulo, em maio. Esse importante evento do Metal só foi possível graças a citada parceria entre a revista Roadie Crew e Wacken Open Air.
A Roadie Crew perdura até hoje, e é uma importante publicação no segmento de música pesada no Brasil.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FABI, (2011). Headbangers e o heavy metal. (On-line).
Disponível: http://www.spiner.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=1260, (01 de abril de 2011).
PINTO, Rodrigo, (2006). Revista Rolling Stones Versão BR. (On-line).
Disponível: http://www.guardiao.net/ezine/2006/20060821_1658-rolling-stone-ganha-versao-brasileira-oficial.htm, (31 de março de 2011).
REVISTA, Bizz, (2011). Site revista Bizz, história da revista. (On-line).
Disponível: http://bizz.abril.com.br/, (01 de abril de 2011).
PIMENTA E SILVA, Marcelo, (2011). A imprensa brasileira de rock: Rock Brigade e Bizz (parte ¾). (On-line). Disponível: http://revistacontemporartes.blogspot.com/2011/03/imprensa-brasileira-de-rock-rock.html, (02 de abril de 2011).
SITE, Backstage, (2011). Site home Backstage. (On-line). Disponível: http://www.backstage.com.br/, (02 de abril de 2011).
IGNÁCIO, Malu, (2009). Revistas dos anos 80. (On-line). Disponível: http://www.autobahn.com.br/lembrancas/revistas.html, (02 de abril de 2011).
SITE, Rock Brigade, (2011). Rock Brigade Records. (On-line). Disponível: http://www.rockbrigade.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3&Itemid=5, (02 de abril de 2011).
CARNOVALE, Rafael, (2007). Roadie Crew: 100 sem perder o fôlego. (On-line). Disponível: http://whiplash.net/materias/news_899/060719.html, (02 de abril de 2011).
SEELIG, Ricardo, (2006). Airton Diniz - A coleção do editor chefe da Roadie Crew. (On-line). Disponível: http://whiplash.net/materias/collectorsroom/041275.html, (02 de abril de 2011).
SITE, Whiplash!, (2008). Wacken Rocks Brazil. (On-line). Disponível: http://whiplash.net/materias/news_884/075836.html, (02 de abril de 2011).
CHRISTE, Ian. Heavy Metal, A História Completa. 1.ed. São Paulo: Arx, 2010.
[1] Termo conhecido como Jabá na indústria da música. Consiste na prática de uma gravadora pagar dinheiro para a transmissão de músicas em uma emissora de rádio ou programa de TV. Jabaculê é, muitas vezes, também empregado com o sentido de improviso ou gambiarra.
[2] Progressão de acordes, ou seja, na música é a repetição imediata, em diferentes níveis de altura, de uma determinada passagem melódica ou harmônica, que são executadas repetidas vezes no contexto de uma canção, resultando na base ou acompanhamento.
[3] Maior distribuidora de discos do segmento rock no Brasil.
[4] O maior festival de heavy metal da Europa. Em 2002 passou a acontecer durante três dias no mês de agosto. Antes disso, eram apenas dois dias de festival.







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